Algodão Pólvora!

...informação em branco e preto.

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TUDO nada CABE
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m.f.c

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Bodas de prata

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Ele queria dizer aquilo que corroi, que estraga ou aniquila. Engoliu o próprio espírito para que latifúndio amanhecesse em algum momento, mas tempo e respiração passavam ao largo. Disparos de palavras torpes o atingiam lá no fundo e ele, outra vez, sonhava latifúndio ensolarado, terra arada e vegetação rasteira. Contudo, os disparos falavam de densidade, floresta úmida, areia movediça, Guerra de Canudos e asfalto. Ele só queria paz, churrasco, cantoria, Johnnie Walker; a voz do outro lado ansiava por confronto, feijão sem tempero, chocolate diet.

 

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PRONOME

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Não

Não sou eu que faço

O mundo escurecer

Não sou eu que deixo

Tudo fora do lugar

.

 

Amanhecer ao teu lado:

Conjugar-te é me reler

.

 

Não

Não sou eu quem faz

Escurecer o mundo

Não sou eu quem deixa

O lugar fora de tudo

.

 

Amanhecer ao lado teu:

Quero-me pronome possessivo

 

12 de abril - dia do meu melhor Eu

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12 de abril - dia do meu melhor Eu

Quando ela nasceu foi um momento difícil. Eu pensava estar preparado, mas nós nunca estamos totalmente preparados, nem para a morte, nem para a vida. Ela era simples, vermelha; soltava uns rangidos, arrotos, o olhar embaçado, cabelos falhos. Ela nasceu e eu não estava preparado. Deixei de ser naquele momento. Eu era todo não-ser. Uma elipse solta pelos cantos do hospital. Eu era o ponto-e-vírgula que ninguém sabe muito bem onde botar. E eu não estava preparado. Acendi todos os cigarros, chorei um pouco, falei pouquíssimo. Tirei fotos, descobri ser deus, fiquei maior que o mundo; era todo o universo. E eu não estava preparado para deixar de ser sol. Deixei de lado a Coroa, virei malkut, absorvi o éter, caí do quinto céu. Quando ela nasceu, sem querer, revelou o óbvio. A eternidade é isso:

Eu me continuar nos átomos de outra pessoa.

12 de abril - dia do meu melhor Eu

 

Eles

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Ela sempre age como se o mundo fosse acabar daqui a um minuto. Sempre desesperada com o nada, com um copo d’água.

Ele, ao contrário, sempre circula muito na dele, apesar do carisma que emana quase instantaneamente. Sagaz na arte de entreter as pessoas.

Eles combinam ao modo deles. Nada muito pão com manteiga, nada muito lixa com seda. São na medida um do outro. O que falta em um sobra consideravelmente no outro. Assim assado. Sempre.

Ela quis alguma coisa que, para ele, era o fim do mundo (ao modo dele, apesar de ser ela a gostar do copo d’água). Brigaram.

Ele estava saturado com alguma coisa passada e, paradoxalmente, resolveu encarar as ofensas ofendendo também. Aliás, disse logo um “foda-se” de cara.

Eles ficaram nesse termo por muito tempo. Foi aí que ela explodiu e ele se fechou. Tudo voltara ao normal, mas alguma coisa ficara fora do lugar.

Ela diz que ele só quer fazer sexo e que não conversa mais sobre nada.

Ele afirma que nunca faz sexo porque ela está quase sempre com cefaleia.

Eles, enfim, concordam com uma coisa: é o sexo (ou a falta de), apenas ele (ou sua ausência), o responsável por tudo (ou por nada).

Ela foi trabalhar mais cedo do que o de costume.

Ele havia escrito isto para ela:

 

“Queria sair do presente quase

Ansiava o instante já

Estar dentro, dentro, completo

Salivar, transpirar, pulsar

.

Morrer um pouco naquele agora

Acarinhar o momento depois

Como se nada fosse tudo ou macro

Além do querer de nós dois”

 

Eles são assim.

 

Formatura

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Era o momento do um? O instante novo? O antistante? O pré-momentâneo? Era o acaso molhando suas barbas nas águas escuras ou o big bang no vácuo divino?

Era o que viria a ser. Inestimável, absoluto, etéreo. Era o que surgiria nos moldes de phi, das leis de thelema, das ruínas de Petra, do coração improvável.

Era o levante, a circundação da Sardenha, a impressionante ocasião em que todos os gozos atingem a morte fracionária.

As palavras sussurradas, o choro silencioso, a transformação do homem-pai em objeto bobo, passivo, vulnerável.

De repente, acontece! O homem grisalho abre o papiro, convoca. Todos ficam em fila. O sol brilha e eu sinto o calor no meu peito, apesar do templo ser coberto e as estrelas romperem a escuridão. O sol é Rá, estou no edifício de Osíris, no meio da plateia epifânica. E lá, junto a outros deuses, está ela, subindo as escadas, indumentária preta. Sorrimos, choramos, aceitamos a bandeira.

O momento é paradoxalmente eterno, no palco, todos em câmera lenta recebem os aplausos. Um filme percorrendo toda a nossa vida passa diante dos meus olhos internos. E ela. Ela. Toda humana, toda deusa, toda-toda. Agora, também, diplomada!

 


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