Foi só o Rio ter sido escolhido como sede das Olimpíadas de 2016 para iniciarmos nosso esporte mais comum: insegurança pública sem barreiras. É policial que abate um louco drogado com uma granada na mão para depois ser abatido em pleno voo; é bandido que atira e mata por causa de uma jaqueta para depois ter a jaqueta roubada por policiais; é policial que vai à favela matar bandido e atira em criança no colo da mãe; enfim, vivemos e assistimos a um festival Bizarro (com trocadilho, por favor), onde Batman é bandido e a vítima morre no final.
Não que seja novidade (nem privilégio) a violência urbana no Rio de Janeiro. Aliás, já faz parte do nosso cotidiano viver como nos filmes de Charles Bronson, onde cada território faz a sua lei. A questão é que há tempos vemos uma polícia com gente mal treinada e mal equipada que sobe morro, arriscando a vida em troca de mil reais e auxílio transporte, enquanto um garoto que mal sabe quem é o presidente do Brasil (até porque ele é bastante popular) recebe um fuzil de mira laser, com munição antiaérea e nextel (sinceramente, até hoje não sei como a empresa não tem controle sobre quem tem esta porra ou melhor, se tem interesse..) sabendo o tempo todo que pode se foder em troca de dois mil por semana, mais o prestígio entre as menininhas e o respeito da "comunidade". É mais ou menos como a desvantagem do soldado americano em relação ao militante talibã no deserto, que não tem nada a perder. A diferença que aqui, o policial se quiser farda nova, vai ter que pagar.
O problema aí, a meu ver, está na forma como se encara a (in)segurança. No "Leblão", quase se bate cabeça com policial ajudando velhinha a atravessar a rua e na Chatuba, seja ela da Penha ou de Mesquita, é caveirão dando tapa na cara, chamando quem tem que chegar cedo no serviço de vagabundo e maconheiro. Falta inteligência em todos os sentidos do governo em investir em mais segurança (sem trocadilho, por favor) com o bom policial, equipando pra valer e pagando decentemente, afastando e processando quem ostenta padrão de vida de artista do rap com um salário de porteiro do Champion. Também é preciso investir em educação, mostrando para a criança que o exemplo não deve ser o dono da boca, mas quem trabalha para oferecer uma vida mais digna para si e sua família. Enfim, sonhar não custa nada, mas já é o começo...
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