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Curioso como o mundo dá voltas. Até setembro do ano passado, Flamengo alimentava o sonho de entrar no G4 e fugir do fantasma do rebaixamento, o meu Fluminense era dado como certo na segundona e o Lindberg era a oposição ferrenha ao governo do Serginho Cabral e sua escolinha do Capitão Nascimento. Pois bem. Contrariando todos os prognósticos (e fudendo com os cálculos do Oswald de Souza) tive que aguentar a comemoração do hexa, respirei aliviado o tricolor fugindo do rebaixamento (pelo menos isso...) e, hoje, Lindberg e Serginho são os novos amiguinhos de infância. Surpreendente? Nem tanto.
Nunca levei muita fé na "irrevogável" decisão do prefeito de Nova Iguaçu em peitar a ferro e fogo uma candidatura própria. Primeiro, porque o PT fluminense está até o tutano dos ossos com o governo estadual e, francamente, não é do feitio dos "companheiros" trocar o certo pelo duvidoso; segundo, porque Lindberg, se não é um Pelé do jogo político, também não nenhum Obina, isto é, sabe jogar de acordo com as regras para tirar o máximo de proveito da situação e sair de campo bem cotado. Ao longo do ano passado, Lindberg não só chamou o holofotes para si, como deu uma mexida no cada vez mais morno e modorrento processo de eleições internas do partido. A disputa pelo comando partidário no estado ganhou ares de uma importância que de fato não existiu, pois tudo já estava com os destinos traçados desde a maternidade: o PT, em nome do apoio à Dilma, vai de Serginho e Lindberg caminha para se tornar o grande nome do partido em todo o estado, tudo sob as bençãos de Picciani e seus abóboras selvagens. Ou seja, assistimos a um amistoso sub-15 entre Brasil e Argentina, com o intuito de fazer um comercial de final de ano. Muita provocação e expectativa para, no fim, acabar em um 0 a 0 insosso e sem relevância, com todos de mãos dadas cantando musiquinhas natalinas em nome de um mundo melhor e mais colorido. Lindinho, não?
Não me surpreenderá se, lá para junho ou julho, Lindberg faça uma dobrada com Picciani para o Senado ou, ainda, catapulte sua vice-candidatura com Serginho. É esperar para ver.