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Memórias póstumas de Brás Cubas* é considerado por muitos o ponto de inflexão na obra de Machado de Assis, momento em que o escritor passa a produzir seus textos mais artisticamente elaborados. De fato, esse romance, publicado em 1881, ao menos do ponto de vista da forma, é estruturado de maneira nada usual, sobretudo se o compararmos a outras obras da ficção nacional da época. As constantes mudanças de ritmo na narrativa - perfeitas para seus capítulos curtos - fazem desse livro o palco ideal para algumas das mais célebres frases criadas por Machado de Assis. Roberto Schwarz (no livro Um mestre na periferia do capitalismo**), ressaltou que
"[...] a narrativa passa do trivial ao metafísico, ou vice-versa, do estrito ao digressivo, da palavra ao sinal (o capítulo à moda shandyana, feito de pontinhos, exclamações a interrogações), da progressão cronológica à marcha ré no tempo, do comercial ao bíblico, do épico ao intimista, do científico à charada, do neoclássico ao naturalista e ao chavão surrado etc. etc.."
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